Como um QR Code funciona
Você não precisa disto para usar o gerador. Precisa para entender por que o selo reclama de uma coisa e não de outra — e é o que separa quem conserta o QR de quem fica tentando de novo.
Anatomia
Um QR Code é uma grade de quadradinhos pretos e brancos.
- Módulo — cada quadradinho. É a menor unidade da imagem. Quando alguém diz “esse QR está muito denso”, está dizendo que tem módulo demais.
- Olhos — os três quadrados grandes nos cantos. É por eles que a câmera encontra o código e descobre a rotação. Mexer demais neles é a forma mais rápida de quebrar a leitura.
- Zona de silêncio (quiet zone) — a margem vazia em volta. Sem ela, a câmera não sabe onde o código termina e o mundo começa.
- Versão — o tamanho da grade. Vai de 1 (21×21 módulos) a 40 (177×177). A
conta é
17 + 4 × versão.
Quanto mais conteúdo, maior a versão
Este é o ponto que explica quase todo problema de leitura.
O QR não “aperta” o conteúdo: quanto mais bytes você põe, mais módulos ele precisa. E como o código impresso tem um tamanho físico fixo, mais módulos significa cada módulo menor — até o ponto em que a câmera não distingue mais um do outro.
Um vCard completo, com endereço e notas, pode passar de 300 bytes e chegar perto da versão 15. Impresso num cartão de visita de 2 cm, cada módulo fica com menos de um terço de milímetro. É por isso que vCard cheio quase nunca lê em papel pequeno.
A saída quase sempre é cortar conteúdo, não aumentar o papel. Um link curto lê onde um link longo falha.
Correção de erro
Todo QR carrega informação redundante: ele continua legível mesmo com parte da imagem danificada, suja ou coberta. Quanto mais redundância, mais robusto — e mais módulos, porque a redundância também ocupa espaço.
O QRcode oferece três níveis:
| Nível | Recupera até | Quando usar |
|---|---|---|
| M (médio) | ~15% | Padrão. Tela, papel limpo, sem logo. |
| Q (alto) | ~25% | Superfície que suja, amassa ou reflete. |
| H (máximo) | ~30% | Sempre que houver logo no centro. |
Pôr um logo força o nível H automaticamente. O logo cobre módulos, e cobrir módulos é exatamente o dano que a correção de erro existe para absorver. Se você escolheu M e depois adicionou um logo, o produto sobe para H sozinho — e o selo avisa se, ainda assim, o logo ficou grande demais.
Correção de erro não é margem infinita: ela cobre dano espalhado. Um borrão concentrado em cima de um olho derruba a leitura mesmo em H.
Zona de silêncio
O padrão pede 4 módulos de margem branca em volta. O QRcode usa 4 por padrão e o selo reclama abaixo disso.
É a economia mais tentadora e mais cara: encostar o QR na borda do papel, ou num fundo colorido sem respiro, quebra a leitura mesmo com todo o resto perfeito.
O que a câmera precisa enxergar
Resumindo em quatro condições — as mesmas quatro que o selo mede:
- Contraste entre módulo e fundo.
- Módulos grandes o bastante na distância de leitura.
- Olhos íntegros, com forma reconhecível.
- Margem em volta.
Falhar em qualquer uma derruba as outras três.